IgesDF destaca cuidados com hábitos saudáveis e incentivo aos exames regulares
Por Luciane Paz
O câncer é uma das principais causas de morte no Brasil e no mundo. A cada ano, milhões de pessoas recebem o diagnóstico da doença, que pode atingir qualquer parte do corpo. O Dia Nacional de Combate ao Câncer, celebrado nesta quinta-feira, 27 de novembro, reforça a importância de ampliar o conhecimento da população sobre o tema e fortalecer essas ações. Neste contexto, o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (IgesDF), em consonância com a Secretaria de Saúde do DF (SES-DF), atua na ampliação do acesso ao cuidado especializado, contribuindo para a prevenção, a detecção precoce e o tratamento de diversos tipos de câncer na rede pública.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar cerca de 704 mil novos casos de câncer em 2025. Entre os tipos mais incidentes estão os tumores de mama (73 mil casos por ano), próstata (71 mil), cólon e reto (45 mil), pulmão (32 mil), estômago (21 mil) e colo do útero (17 mil). Somados aos tumores de pele não melanoma, cuja estimativa é de 483 mil diagnósticos anuais, o cenário reforça a importância de medidas contínuas de prevenção, diagnóstico precoce e acesso ao tratamento adequado.
No Distrito Federal, os tipos mais frequentes acompanham a tendência nacional, com destaque para câncer de mama, próstata e colorretal, situações que comprovam a importância de manter os exames em dia e adotar hábitos de vida saudáveis.
Câncer x estilo de vida
Ainda de acordo com o INCA, entre 80% e 90% dos casos de câncer estão associados a fatores externos, como tabagismo, consumo de álcool, má alimentação, obesidade, exposição solar e sedentarismo.
“Grande parte dos tumores poderia ser evitada com a redução de comportamentos de risco e o estímulo a práticas saudáveis. O cuidado começa na rotina: parar de fumar, reduzir o álcool, praticar atividades físicas e manter alimentação equilibrada são atitudes que salvam vidas”, explica Fabiana Comar, médica oncologista que atua no Hospital de Base do DF (HBDF).
A oncologista destaca ainda que o avanço das políticas públicas tem ampliado o acesso da população a exames fundamentais. “A nova Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer reforça a importância da detecção precoce e trouxe mudanças significativas, como a ampliação da oferta de mamografia pelo SUS para mulheres a partir dos 40 anos, devido ao alto acometimento desse tipo de tumor no país”, pontua.
Fabiana destaca também outra evolução importante, como a substituição gradual do exame de Papanicolau pelo teste molecular de DNA-HPV em todo o território nacional. “O teste é mais sensível e permite identificar precocemente lesões que podem evoluir para o câncer do colo do útero, doença que ainda apresenta índices elevados no Brasil”, complementa.
Outros fatores, como predisposição genética e idade, também influenciam, mas podem ser controlados com acompanhamento médico regular e exames de rastreamento.
História que inspira
Entre os exemplos de superação está o de Josilene Batista, 48 anos, mais conhecida como Jojo, que após identificar um nódulo durante o autoexame, não imaginava que se tratava de um câncer de mama.
“Eu estava em casa deitada, e fui me tocando, me apalpando no peito. Aí eu senti um caroço que já sentia quente e doendo”, relembra.

Buscando atendimento em uma UBS próxima de casa, entrou na fila para consulta ginecológica. Durante a espera, conheceu o trabalho da Rede Feminina de Combate ao Câncer e conheceu Verinha, que a auxiliou no acesso ao exame para a detecção da doença.
Graças à intervenção rápida, Jojo passou por cirurgia em 25 de agosto de 2019. O câncer ainda estava em estágio inicial, permitindo tratamento completo, incluindo quimioterapia, com chances de cura.
Desde então, segue recuperada e tornou-se voluntária da Rede. “Eu nunca mais larguei. Aqui é a minha vida, eu respiro isso aqui”, conta, com orgulho.
Fatores de risco e formas de prevenção
Segundo a médica oncologista, a prevenção continua sendo a maior arma contra o câncer. Confira as principais recomendações do INCA e do Ministério da Saúde:
- Não fumar e evitar locais com fumaça de cigarro
- Manter o peso corporal adequado
- Praticar atividades físicas regularmente
- Evitar o consumo excessivo de álcool
- Manter alimentação saudável, rica em frutas, verduras e legumes
- Usar protetor solar e evitar o sol entre 10h e 16h
- Vacinar-se contra HPV e hepatite B, doenças que podem causar câncer
- Realizar exames preventivos: Papanicolau (ou teste de DNA-HPV onde já está disponível), mamografia, colonoscopia e PSA, conforme orientação médica.









