Rainha do Carnaval de Brasília falece aos 70 anos deixando um legado de amor a vida e ao próximo

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Neide de Paula, nossa eterna Rainha do Carnaval de Brasília, faleceu na madrugada desta segunda-feira em Brasília, após uma luta contra o câncer. Sua história se confunde com a da nossa capital e, principalmente com a da cidade do Cruzeiro, onde foi fundada a Escola de Samba da Aruc, sinônimo da resistência carnavalesca da cidade.

Márcio Macrini e Neide de Paula formavam um casal nota 10 do samba

Na última década transformou sua dedicação ao samba em dedicação aos mais humildes e dessassistidos da nossa sociedade brasiliense. Moradora do Riacho Fundo I, sempre esteve envolvida com todos movimentos que trouxessem alegria e movimentação na cidade. Como o Garota Riacho Fundo. Casada com Márcio Macrini, perdeu seu único filho na última década, o que a debilitou, mas não deixou sua garra de servir ao próximo em projetos sociais, principalmente às mulheres. Goiana de Uruaçú, teve o samba como norte na sua juventude. Outra ocasião importante na sua longa trajetória foi quando começou a costurar blusas de frio para as ações sociais com os moradores em situação de rua, se unindo aos projetos sociais do ativista Barba.

No auge da juventude em Brasília. Linda de se ver

História não falta na vida de Neide, que chegou criança em Brasília, pouco depois da inauguração da cidade, em 1960. E, mesmo contra a vontade da mãe, Maria Amélia, foi se projetando no ritmo do samba.

Neide estudou na Escola Classe da 108 Sul, onde se orgulhava de ter com como colegas filhas de deputados e senadores. Mas o seu ambiente e a sua meta tinham um roteiro que ela não abandonava, crescer nos shows musicais.

Sambão e safanões

“Desde cedo eu mostrava que tinha ouvido apurado para a música. A minha primeira manifestação pública foi por volta de 1970. Num certo dia, fui com uma amiga para um sambão na Asa Norte. Fui escondida, claro, e a volta para casa não foi nada boa”… recorda ela, com uma boa risada.

Tudo estaria muito bem se nessa saída ela não tivesse encontrado o seu irmão mais velho, Ribamar, que também teve a ideia de sambar no mesmo local, numa época de raríssimas opões de lazer na cidade.

“Na volta pra casa, minha mãe acertou as contas com a Neguinha… Levei tapas, puxões de cabelo, mas aquilo adoçou ainda mais a minha vontade de investir no mundo do samba”… contava ela.

Rainha para sempre

O tempo passava… Determinada, Neide conquistou espaços até se tornar passista e se destacar como “Rainha do Carnaval”, título que repetiu por vários anos, principalmente na ARUC, a escola de Brasília recordista em títulos carnavalescos. A rotina de faixas conquistadas entre os anos 1960/1970 acabou por consagrá-la, em definitivo, “Rainha das Rainhas”.

Mulata do Sargentelli

Neide estava convicta que o samba era a sua casa e queria ir em frente. Foi dessa forma que se tornou passista, até conquistar valorizado espaço no grupo de shows das Mulatas do Sargentelli, histórico promotor da música brasileira, também conhecido como “o gente boa do ziriguidum”. Osvaldo Sargentelli (1923 – 2002) marcou época nas noites paulistas, cariocas, no cinema e na televisão.

Museu de Arte e a escada

Neide Paula voltou ao antigo Casarão do Samba, hoje Museu de Arte, às margens do Lago Paranoá, em Brasília, para matar a saudade daqueles tempos de passista campeã. A escada que ficou na lembrança de Neide é a mesma que ela subiu na visita que fez no agora Museu de Arte, quarenta anos depois. Dando acesso ao piso superior, a escada tinha, também, um simbolismo, uma espécie de ascensão rumo ao topo da fama como sambista.

“Eu e minhas colegas de dança íamos para perto da escada ver quem estava chegando, se tinha algum famoso, político ou diplomata, gente de poder. Isso dava prestígio à casa. Era deles que vinham os aplausos de nossas apresentações, um incentivo que nos deixava muito feliz.

Neide Paula contou mais em sua última visita ao local: “O Casarão do Samba foi um espaço muito importante para a música em Brasília. Naquela época, logo no início da cidade, tinha só uma concorrente na noite da cidade, era a boate Tendinha, no Hotel Nacional. Mas, todo mundo queria conhecer o Casarão, sem dúvida de muito valor para nós, sambistas, cantores, artistas e empresários. Bate a saudade, disse à época.? ….”

*Com informações do site: memoriadaculturaesportebsb.com.br

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Quem é Zuleika Lopes

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