Após a morte de Amanda Nascimento, que estava em lua de mel, em Portugal, muitas pessoas estão buscando informações sobre reação alérgica alimentar. Especialista explica os sintomas e o que deve ser feito em caso de reação alérgica alimentar grave
postado em 24/10/2026 05:00
Por Gabriela Cidade e Júlia Costa — Imunologista e alergista do Hospital Santa Lúcia Sul, Franciane de Paula explica que reações alérgicas alimentares apresentam diversas manifestações e a gravidade delas não pode ser prevista com segurança. “Uma pessoa que já apresentou sintomas leves pode ter uma reação grave em uma exposição posterior”, afirma.
Nos casos mais amenos, coceira na boca, urticária, vermelhidão na pele ou inchaço dos lábios — esse, o mais comum — são algumas reações possíveis. Sintomas gastrointestinais, como dor abdominal e vômitos, também podem surgir.
Os quadros de maior gravidade podem evoluir para anafilaxia, que compromete diferentes órgãos e sistemas ao mesmo tempo. Nesse caso, lesões de pele, urticária, dificuldade para respirar, tosse, espirros, queda da pressão arterial, perda de consciência e até parada cardiorrespiratória podem ocorrer.
Como proceder
Como até pequenas quantidades de alimento podem ser suficientes para desencadear uma reação, a orientação médica é que aqueles que já tenham a confirmação de alergia evitem o alimento responsável. Franciane também destaca a importância de conhecer os sinais de alerta e como agir em emergências.
“A primeira medida é interromper o consumo e avaliar imediatamente a presença de sintomas e utilizar o seu plano de ação em caso de reação. Entretanto, não se deve esperar que os sintomas se agravem para procurar ajuda quando houver sinais de uma reação sistêmica”, detalha.
Caso haja dificuldade para respirar, sensação de garganta fechando, alteração da voz, inchaço da língua, tontura intensa, desmaio ou sintomas que evoluam rapidamente, o paciente deve suspeitar de anafilaxia e aplicar imediatamente adrenalina autoinjetável, prescrita pelo médico, conforme avaliação. “Pacientes com histórico de alergia alimentar e risco de reações graves devem portar a caneta de adrenalina autoinjetável”, reforça Franciane.
Apesar de muitas crises terem início minutos depois da exposição, a anafilaxia apresenta um período maior para manifestação. “O intervalo entre a refeição e o início dos sintomas não exclui, por si só, uma reação alérgica grave”, avisa a alergista. “A principal mensagem é que a anafilaxia é uma emergência tempo-dependente: reconhecer os sinais e administrar adrenalina precocemente podem salvar vidas”, conclui.
Tragédia
A família de Amanda Marinho Nascimento, de 29 anos, que morreu na lua de mel em Portugal, conseguiu arrecadar o dinheiro necessário para custear as despesas, trazer o corpo da enfermeira ao Brasil e realizar o sepultamento. Agora, aguarda a realização da autópsia forense, prevista para ser feita até segunda-feira (26/10).











