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Mulheres com câncer tem possibilidade de ter filhos com nova técnica reprodutiva

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O futuro reprodutivo de pacientes que serão submetidas a tratamentos oncológicos tem ganhado novas perspectivas com os avanços das técnicas de congelamento ou criopreservação do tecido ovariano. Sabe-se que as drogas quimioterápicas, a cirurgia e a radioterapia podem causar lesões nos ovários, provocando a perda da função ovariana. Segundo o ginecologista e membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) Carlos Gilberto Almodin, muitas mulheres têm recorrido ao congelamento do tecido ovariano antes de começar o tratamento para o câncer.

Graças à técnica é possível conservar a fertilidade e a condição hormonal nessas mulheres através da preservação e o posterior implante do tecido ovariano criopreservado. Os principais benefícios e avanços dessa técnica serão abordados durante a programação da 24ª edição do Congresso Brasileiro de Reprodução Assistida (CBRA 2020), que acontece virtualmente, de 1º a 3 de outubro. Para palestrar sobre o assunto, foi convidado o professor de Obstetrícia e Ginecologia e Ciências Reprodutivas na Escola de Medicina da Universidade de Yale, Kutluk Oktay, primeiro especialista a realizar o procedimento no mundo.

Conforme explica Almodin, o tecido ovariano jovem carrega uma quantidade de oócitos muito grande, mas que uma indução da ovulação conseguiria reservar apenas pequena parte para as pacientes. Por esse motivo, quando um fragmento do ovário é criopreservado antes da quimioterapia, é possível obter um aumento da reserva de folículos e do número de possíveis oócitos a serem utilizados pela paciente no futuro.

“​O grande diferencial da criopreservação do tecido ovariano é que são preservados uma quantidade maior de oócitos que em uma indução da ovulação, possibilitando, prolongar a vida fértil da paciente, a recuperação do seu padrão hormonal fisiológico sem a necessidade de reposição hormonal. Importante lembrar que a criopreservação de oócitos deve ser sempre considerada e é, atualmente, ainda, a primeira opção”, ressalta.Sobre a técnica – O médico também explica que o congelamento do tecido ovariano é um processo rápido, que se inicia com a indicação e avaliação, por parte do médico assistente em reprodução assistida, de sua viabilidade, a realização de exames para avaliação da condição de saúde geral e reprodutiva da paciente, além da coleta do tecido ovariano por cirurgia minimamente invasiva. “Em seguida, nós realizamos a criopreservação do tecido por tempo indeterminado (geralmente até o fim do tratamento oncológico) e, por último, iniciamos o planejamento de implante

do tecido germinativo de volta ao ovário ou em tecidos próximos ao útero da paciente”, detalha o ginecologista.

De acordo com Almodin, graças aos bons resultados obtidos com a técnica – que já gerou mais de 100 nascimentos no mundo –, essa opção terapêutica está atualmente deixando de ser experimental e passando a ser uma realidade passível de ser ofertada às pacientes. Mas o ginecologista faz algumas observações importantes. “Embora a técnica de implante de tecido ovariano venha se mostrando efetiva, ela ainda apresenta perda importante da massa ovariana implantada, necessitando de alguns ajustes na melhoria da taxa de implantação tecidual e ativação folicular”, observa.

Por fim, o andrologista creditado pela SBRA Moacir Rafael Martins Radaelli, membro da equipe de pesquisas do doutor Gilberto Almodin, também ressalta que um dos desafios atuais na área da Andrologia em reprodução assistida está em obter com o tecido testicular os mesmos resultados alcançados com a criopreservação do tecido ovariano. Segundo o médico, diversos estudos avançam neste sentido. “Nós esperamos que, em breve, a técnica possa ser utilizada para a preservação da capacidade reprodutiva masculina também, que a gente possa alcançar os mesmos resultados que tivemos com a criopreservação do tecido germinativo feminino no tecido testicular masculino. Isso será excelente para os homens, especialmente os pacientes que precisem passar por tratamento oncológico”, diz.

*Texto da jornalista Fernanda Matos

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