Há duas semanas o Blog da Zuleika está entrevistando a infectologista do Hospital de Base e do Hospital do Coração, Magali Meireles, com 15 anos de profissão, que entre uma consulta e outra, imaginem o sufoco de clinicar no ambulatório do Base, tenta responder as inúmeras dúvidas dos leitores do blog, com relação à Covid-19, que chegou como um furacão em nossas vidas, deixando rastros de destruição, tristeza e angústia. Quem já se foi é amor de alguém, e isso é muito doído para todos nós.
Blog da Zuleika-Qual o papel do infectologista na pandemia da Covid-19?
Dra. Magali -O papel do infectologista na pandemia de COVID-19 é dar o olhar de especialista, com a experiência que tem no manejo de infecções virais e suas complicações, além do conhecimento sobre medidas preventivas.
O infectologista tem o papel de coordenar as ações contra a pandemia, fornecer informações técnicas e confiáveis sobre as questões pertinentes à doença e à dinâmica do vírus na sociedade, trabalhar no manejo dos pacientes, em conjunto com outras especialidades (pneumologistas e intensivistas, por exemplo).
O que realmente fazer para não se contaminar?
Além das vacinas, que estão chegando para auxiliar na contenção da pandemia, a medida preventiva mais eficaz é realmente o distanciamento social, pois a COVID-19 é uma doença que se transmite de pessoa a pessoa. Portanto, evitar de todo modo as aglomerações é imprescindível. Além disso, o uso de máscaras em ambientes públicos e no contato com pessoas de fora do convívio domiciliar, e a higienização constantes das mãos com água e sabão ou álcool-gel são medidas que ajudam no controle da disseminação da doença.
Uma pessoa que teve contato com quem está com Covid tem possibilidade de, ao chegar em casa, fazer a higiene e a Covid sair?
Depende. Caso esse contato tenha sido sem o devido distanciamento e sem uso de máscara, a transmissão pode ter o ocorrido pelo contato do vírus com as mucosas da pessoa suscetível (olhos, nariz, boca). Nesse caso, higienização não evitará o contágio. Por outro lado, caso o vírus esteja na superfície corporal e roupas da pessoa suscetível, ela pode trocar de roupas e tomar um banho, mas sempre tendo o cuidado, antes, de não tocar na face antes de higienizar as mãos.
Brincos, anéis, colares e pulseiras são lugares onde a Covid pode se alojar?
Qualquer superfície pode se contaminar com gotículas que contenham o vírus. Apesar da transmissão pelo contato com superfícies e objetos contaminados ter menor importância que a transmissão pessoa-a-pessoa, é importante manter a higienização constante.
Como uma pessoa, jovem, e sem comorbidades aparentes, não consegue resistir ao vírus?
É uma questão de estatística. Qualquer doença tem suas taxas quanto às porcentagens de evolução grave e óbito. A COVID é uma doença sabidamente mais perigosa para pessoas de 60 anos e com comorbidades, mas uma porcentagem dos pacientes jovens e saudáveis que pegarem a doença, irão evoluir gravemente e parte deles vai falecer. É uma proporção bem menor neste grupo que naqueles de risco, mas se pensarmos que, atualmente, temos uma mesma quantidade de pessoas infectadas, é natural que o número total de casos graves e óbitos também seja maior.
Conheço pessoas que fazem o teste e dá negativo, mas está com todos os sintomas? E possível?
É perfeitamente possível isso ocorrer. O diagnóstico de COVID, com o paciente sintomático, não deve ser guiado apenas pelo teste confirmatório, que em geral apresenta sensibilidade de cerca de 70% (ou seja, 30% dos pacientes com a doença apresentarão teste falso-negativo). Portanto, é importante também levar em consideração o quadro clínico do paciente, a maneira com que ele vai evoluir ao longo dos dias, além de exames laboratoriais e de imagem.
*Temos mais perguntas mas precisamos aguardar pelas respostas, afinal os médicos estão no olho do furacão.

