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Igreja Batista Filadélfia do Guará II, em novo escândalo, após 25 anos de reconstrução da fé cristã

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Suspeito é filho do presidente da congregação e é investigado pela suspeita de ter estuprado ao menos três adolescentes do sexo masculino

Os alicerces da Igreja Batista Filadéfia, fincados na doutrina da fé cristã, estão novamente abalados após quase 25 anos do último escândalo moral envolvendo membros da igreja. Nos idos dos anos dois mil, quem frequentava a igreja ficou estarrecido com o caso extraconjugal do então pastor presidente da entidade religiosa. Foram anos duros para quem dedicava sua vida a salvar almas com a retidão de sua conduta. “O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã”, cita um verso bíblico e assim, aos poucos foi colocada uma pá de cal em torno do assunto.

As regras proibitivas continuaram as mesmas. Quem convivia maritalmente sem casamento oficial não pode exercer cargo na igreja, nem o mais simples. Mesmo assim persisti nos bancos da igreja e minha filha Marina lá foi criada e frequentava a alas das crianças e depois dos adolescentes, com acampamentos que deixaram saudades até hoje. Lá foi batizada e os ensinamentos cristão fizeram morada em sua conduta moral até hoje: não bebe e não fuma e pouco vai a eventos denominados de “mundão”. Então, eu hoje, não mais frequentadora da Filadélfia, pois não poderia escrever no jornal da igreja, lamento muito ter que dar esta notícia, tão estarrecedora, enquanto os fatos ainda estão em apuração. O texto abaixo é de autoria de Luiz Carone, da coluna Na Mira, publicado no Portal Metrópoles:

Um pastor de 30 anos foi preso temporariamente pela 4ª Delegacia de Políci nessa sexta-feira (19/12). Ele é suspeito de abusar sexualmente de adolescentes que frequentavam a Igreja Batista Filadélfia, no Guará 2.

O homem atuava como líder religioso de jovens na igreja evangélica. Ele é investigado pela suspeita de ter estuprado ao menos três adolescentes do sexo masculino.

Conforme apurado, o pastor se aproveitava do seu papel de liderança religiosa para ganhar a confiança das vítimas e ficar a sós com elas, momento em que aconteciam os supostos abusos.

As investigações também apontam que as vítimas não teriam sido concomitantes. O pastor criava laços com um dos adolescentes alvo até cometer os abusos. Depois que o menor se afastava, o líder se aproximava de outro jovem.

Os casos denunciados que estão em investigação teriam ocorrido desde 2019. Uma das vítimas ouvidas, inclusive, já atingiu a maioridade.

O suspeito é filho do presidente da congregação. Apesar de as acusações contra ele virem à tona dentro da igreja, o pastor continuava atuando no ministério normalmente.

A coluna também apurou que, após tomar conhecimentos das denúncias, o pai dele teria tentado convencer as vítimas de que não houve abusos.

O pastor presidente teria chegado a insinuar que o filho dele é quem teria sido supostamente vítima de estupro.

O outro lado

Em nota, a Igreja Batista Filadélfia afirmou que é “inverídica a afirmação de que o investigado continuava atuando na instituição, pois ao longo de todo o ano de 2025 ele já não exercia nenhuma função de liderança na igreja”. A igreja também disse que o investigado não é, “nem nunca foi”, pastor da instituição.

“Ele atuava no passado como membro voluntário em funções de liderança no Ministério de Adolescentes. Esclarecemos, ainda, que a relação de parentesco entre o investigado e o Pastor Presidente não interferiu, nem jamais interferirá, nas medidas disciplinares adotadas pelo Conselho Disciplinar ou na colaboração com a Polícia Civil e o Poder Judiciário”, declarou.

A igreja refutou qualquer alegação de que houve tentativa de encobrir os fatos ou desestimular as famílias a procurarem as autoridades. “Em todos os atendimentos realizados, tanto pela Presidência quanto pelo Conselho Disciplinar, a orientação explícita foi de que as famílias possuíam total liberdade e incentivo institucional para buscar as autoridades policiais. A igreja entende que o acolhimento espiritual não substitui, em hipótese alguma, o dever de busca pela justiça estatal”, afirmou.

Por fim, a Igreja Batista Filadélfia afirmou que preza pela precisão das informações e pela proteção de sua comunidade. “O sigilo da investigação policial e o dever de proteger a privacidade dos menores e de suas famílias impedem a divulgação de outros detalhes, além dos que foram apresentados acima”, disse.

O que diz a Lei:

Lei nº 14.811/2024 tornou obrigatório que igrejas e outras instituições sociais que lidam com crianças e adolescentes exijam e mantenham atualizadas as certidões de antecedentes criminais de todos os colaboradores (voluntários ou não), com foco na prevenção de abusos e na proteção da infância, estabelecendo um dever de cuidado e responsabilidade institucional para criar ambientes seguros. 

O que a Lei determina:

  • Obrigatoriedade: Instituições que atuam com crianças e adolescentes (incluindo igrejas, escolas, ONGs, etc.) devem exigir a certidão de antecedentes criminais.
  • Periodicidade: As certidões devem ser atualizadas periodicamente, sendo a atualização semestral mencionada como boa prática ou exigência para instituições que recebem verba pública, conforme o Art. 59-A do ECA.
  • Abrangência: Aplica-se a todas as pessoas que trabalham ou atuam como voluntárias com esse público, sejam elas líderes, professores ou outros colaboradores. 

Por que é importante:

  • Prevenção: Visa impedir que pessoas com histórico de crimes ou violência trabalhem com crianças e adolescentes, criando uma barreira de proteção.
  • Responsabilidade Institucional: Reforça o dever das instituições de garantir ambientes seguros, evitando omissão e responsabilização legal em casos de abuso.
  • Foco na Proteção: Coloca a criança no centro, transformando o cuidado em uma prática de prevenção e segurança. 

Como as igrejas devem agir:

  1. Exigir: Peça as certidões criminais (estadual e federal) de todos os que atuam com o público infantil.
  2. Atualizar: Mantenha esses documentos atualizados, renovando a cada 6 meses ou período determinado pela lei.
  3. Sigilo: Guarde os documentos com sigilo, respeitando a LGPD.
  4. Protocolos: Tenha um cadastro de colaboradores e treine a equipe para prevenção e denúncia de abusos, criando uma cultura de segurança. 
zuleika

Quem é Zuleika Lopes

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