“Não escolho adversário e não fujo de desafio”, diz Glaucio Flash, tricampeão mundial de capoeira e guaraense

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Aos 38 anos, formado em Educação Física e atleta Glaucio Flash acumula 28 anos de dedicação à capoeira e três títulos mundiais no VMB, competição que reúne atletas da modalidade. Morador do Guará, no Distrito Federal, ele começou a praticar capoeira aos 10 anos, incentivado pela mãe, e transformou a atividade em profissão. Agora, o tricampeão se prepara para disputar a luta principal do VMB12, marcada para 26 de novembro, em Maricá, no Rio de Janeiro, além de representar o Brasil em uma competição internacional no Peru, em dezembro.

Gláucio compete representando o DF em eventos nacionais e internacionais

A trajetória de Glaucio começou em 1998, quando teve os primeiros contatos com a capoeira. Desde então, passou a participar de competições nacionais e internacionais, além de atuar como professor. Pai de quatro filhos, ele concilia a preparação esportiva com as responsabilidades familiares e profissionais.

“Minha história com a capoeira começou em 1998, e hoje são 28 anos dedicados a essa arte. A capoeira entrou na minha vida como uma paixão e acabou se tornando muito mais do que um esporte: virou meu estilo de vida, minha profissão e uma das minhas maiores fontes de aprendizado”, conta.

Segundo o atleta, o incentivo da mãe foi determinante para sua permanência na modalidade durante a infância. Ao longo dos anos, mestres, professores e companheiros de treinamento também contribuíram para sua formação.

“Desde o início, minha mãe teve um papel muito importante, porque sempre me incentivou a praticar esportes e acreditou no meu potencial. Esse apoio foi fundamental para que eu continuasse. A capoeira me ensinou que ninguém constrói uma trajetória sozinho e que precisamos valorizar as pessoas que nos estendem a mão no começo do caminho”, afirma.

A conquista do tricampeonato mundial no VMB representa uma das etapas da carreira de Glaucio. Para chegar aos três títulos, ele precisou investir recursos próprios na preparação e na participação em competições, enfrentando despesas com viagens, alimentação, hospedagem e treinamentos.

“Conquistar o tricampeonato do VMB representa muito mais do que levantar um troféu ou ganhar uma competição. É o resultado de anos de dedicação, treinamento, renúncias e investimento pessoal. Minha caminhada no VMB começou com recursos próprios, acreditando no meu potencial e buscando meu espaço entre os melhores atletas”, relata.

Para ele, cada conquista trouxe desafios diferentes e exigiu adaptações na preparação. O atleta também considera que os resultados aumentam sua responsabilidade diante das pessoas que acompanham sua trajetória.

“Chegar ao terceiro título é uma realização enorme e também uma responsabilidade, porque sei que muitas pessoas acompanham minha trajetória e se inspiram nela. Para mim, o tricampeonato mostra que vale a pena acreditar nos próprios sonhos e trabalhar diariamente para realizá-los”, acrescenta.

Preparação física e controle emocional

A rotina de Glaucio envolve treinamentos de capoeira, condicionamento físico, força, potência, velocidade, mobilidade e preparação técnica. Formado em Educação Física, ele utiliza os conhecimentos adquiridos durante a formação acadêmica para organizar os exercícios e compreender as necessidades do corpo durante os períodos de competição.

O atleta também destaca a importância da recuperação física e do controle emocional, principalmente diante de adversários com diferentes características e estratégias de luta.

“Um dos maiores desafios é conseguir manter o equilíbrio entre a preparação física, o controle emocional e a estratégia durante a luta. No VMB, enfrentamos atletas de alto nível, e cada combate exige concentração, inteligência e capacidade de adaptação”, explica.

Glaucio afirma que procura manter a disciplina durante os treinamentos e adaptar a preparação conforme os objetivos de cada competição. Para ele, a confiança construída ao longo desse processo influencia diretamente seu desempenho.

“Não existe resultado sem trabalho. Procuro manter a disciplina e a dedicação, adaptando a rotina de acordo com os objetivos e as necessidades de cada fase da preparação”, afirma.

Ao comentar a postura diante dos adversários, o tricampeão ressalta que o respeito aos competidores não interfere na disposição para enfrentar os desafios.

“Entro nas disputas respeitando todos os adversários, mas com a mentalidade de quem está preparado para lutar com qualquer um. Não escolho adversário e não fujo de desafio. Dentro da competição, meu compromisso é dar o meu melhor”, declara.

Desafios financeiros e trajetória no esporte

Apesar dos resultados conquistados, Glaucio relata que a falta de apoio financeiro esteve entre os principais obstáculos enfrentados ao longo da carreira. Em diferentes momentos, precisou custear a própria participação em seletivas e campeonatos, além de conciliar os compromissos esportivos com o trabalho e a família.

“Uma das principais dificuldades foi precisar investir do próprio bolso para participar de seletivas, competições e viagens, sem ter sempre o apoio financeiro necessário. Quem vive o esporte sabe que o talento, sozinho, não resolve tudo. É preciso pagar deslocamentos, alimentação, hospedagem e manter uma rotina de preparação”, explica.

O atleta considera que a continuidade no esporte depende não apenas dos resultados obtidos nas competições, mas também da capacidade de enfrentar dificuldades fora delas.

“Minha história no VMB é marcada por persistência e coragem para buscar oportunidades. Aprendi que, muitas vezes, precisamos começar com os recursos que temos e construir nosso caminho passo a passo”, destaca.

Além dos três títulos mundiais no VMB, Glaucio conquistou o campeonato do Grupo N’golo, em Brasília e em Gravatá. Também foi vice-campeão europeu por duas vezes consecutivas e vice-campeão dos Jogos Internacionais Axé Dendê.

Para o atleta, a atuação como professor representa outra parte de sua trajetória. Ele considera que o ensino da capoeira permite transmitir conhecimentos e contribuir para a formação de crianças, jovens e futuros competidores.

“Também tenho muito orgulho da minha atuação como professor, porque formar pessoas e contribuir para o desenvolvimento de novos atletas é uma conquista que vai além das medalhas”, afirma.

Capoeira como instrumento de educação e inclusão

Ao longo de quase três décadas na modalidade, Glaucio passou a enxergar a capoeira como uma atividade que ultrapassa as competições. Ele destaca a relação da prática com a história brasileira, a música, a cultura e a formação pessoal.

“O que mais me encanta na capoeira é justamente essa capacidade de unir tantas coisas em uma só prática. Ela é luta, arte, música, história, cultura e educação. Na roda, aprendemos a respeitar o outro, a ter humildade, a desenvolver a inteligência e a entender o momento certo de agir”, explica.

Segundo ele, a modalidade também proporciona oportunidades de convivência, aprendizado e contato com diferentes realidades. As viagens para competições e eventos contribuíram para ampliar suas experiências pessoais e profissionais.

“A capoeira também carrega a história e a resistência do povo brasileiro. Na minha vida, ela abriu portas, me levou a diferentes lugares e me proporcionou experiências que talvez eu nunca tivesse vivido de outra maneira”, relata.

Questionado sobre o cenário da capoeira em Mato Grosso do Sul, Glaucio avalia que o estado possui potencial para revelar atletas, mas considera necessário ampliar o investimento na modalidade, oferecer condições de treinamento e apoiar projetos sociais.

“Acredito que a capoeira tem um enorme potencial em Mato Grosso do Sul, assim como em todo o Brasil. É uma ferramenta importante de inclusão social, educação, cultura e formação de atletas. Para revelar novos talentos, porém, é fundamental ampliar os investimentos, oferecer melhores condições de treinamento, apoiar os professores e criar oportunidades para que os atletas participem de competições”, avalia.

O professor também defende a valorização das iniciativas que atendem crianças e adolescentes, principalmente aquelas que funcionam com recursos limitados.

“A capoeira merece ser reconhecida não apenas como uma manifestação cultural, mas também como uma modalidade esportiva capaz de transformar vidas e levar o nome do Brasil para o mundo”, acrescenta.

Próximos desafios no Brasil e no exterior

Com o tricampeonato mundial conquistado, Glaucio já tem compromissos previstos para os próximos meses. No dia 26 de novembro, será um dos protagonistas do VMB12, em Maricá, no Rio de Janeiro, onde disputará a luta principal do evento.

Em dezembro, o atleta também tem participação prevista na Missão Brasil–Peru 2026, que inclui o Pan-Americano de Capoeira, programado para ocorrer entre os dias 10 e 13, em Lima, capital peruana.

“Entre meus próximos objetivos está continuar evoluindo como atleta, buscar novos desafios e cinturões, fortalecer meu trabalho como professor e conquistar novos espaços para a capoeira. Sou o atleta da luta principal do VMB12, que vai acontecer no dia 26 de novembro, em Maricá, no Rio de Janeiro”, afirma.

A participação no evento internacional também integra seus planos de continuar competindo e representando o Brasil fora do país.

“Também tenho a oportunidade de representar o Brasil na Missão Brasil–Peru 2026, com participação prevista no Pan-Americano de Capoeira, em Lima, no Peru, de 10 a 13 de dezembro. Quero continuar levando o nome de Brasília, do Guará e da capoeira brasileira cada vez mais longe”, declara.

Após 28 anos de prática, Glaucio pretende manter a atuação como competidor e professor. Para os jovens que estão começando na modalidade, ele ressalta a importância da disciplina, do respeito aos mestres e da dedicação durante o processo de formação.

“Meu conselho é que nunca deixem de acreditar nos seus sonhos, mas entendam que é preciso trabalhar para realizá-los. Não existe conquista sem disciplina, paciência, respeito e dedicação. Nem sempre as coisas vão acontecer no tempo que queremos, e haverá momentos difíceis, derrotas e obstáculos”, orienta.

O tricampeão também recomenda que os iniciantes respeitem o próprio ritmo de desenvolvimento e não utilizem os resultados de outros atletas como parâmetro para avaliar suas trajetórias.

“Respeitem seus mestres e professores, valorizem suas famílias e não se comparem o tempo todo com os outros. Cada pessoa tem sua própria caminhada. Eu também precisei acreditar no meu potencial e correr atrás das oportunidades”, afirma.

Para Glaucio, os resultados obtidos nas competições são parte de um processo que envolve aprendizado dentro e fora da roda de capoeira.

“Se você tem um sonho na capoeira, comece com o que tem, treine com seriedade e não desista diante das dificuldades. Os títulos são importantes, mas a maior vitória é a pessoa que você se torna durante o caminho”, conclui.

@glaucio.flash
@flash.vmb

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Quem é Zuleika Lopes

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