O professor Elias Fontele Dourado, mestre em Filosofia e doutor em Comunicação Social pela Universidade de Brasília, está concluindo uma importante e inédita pesquisa intitulada “A ficção científica no Distrito Federal e Entorno”, trabalho que, segundo ele, “discute Brasília como espaço contraditório por meio de suas diferentes concepções geográficas, urbanísticas e filosóficas articuladas a temas como utopia, território, futuridade e ficção científica”. A pesquisa conta com patrocínio do Fundo de Apoio à Cultura do DF (FAC/DF).
Sua pesquisa analisa o cinema de Adirley Queirós como imagem crítica da capital e de suas periferias por meio dos filmes Branco sai, preto fica; Era uma vez Brasília e Mato seco em chamas. “A forma de ficção periférica de Adirley não aparece como avanço triunfal, mas como trauma, deslocamento e possibilidade de levante, nos permitindo ver uma Brasília que não apenas produz ficção científica, mas que é ela própria a matéria dessa ficção científica”, destaca Elias.
Ele analisa tambéms obras futuristas de artistas, entre eles Karina Dias, professora do Departamento de Artes visuais da Universidade de Brasília (UnB). “Com Karina Dias, a paisagem, o horizonte, o deslocamento e a experiência sensível do espaço permitim pensar outras formas de temporalidade brasiliense”, observa Elias. A obra do artista Oberon Blenner também integra a pesquisa, com seus quadrinhos, o grafite, a cultura visual urbana e a noção de cyber-ancestralidade. Elias destaca que Oberon abre espaços para futuros periféricos, negros, indígenas e populares.
“Essas obras mostram que a futuridade no DF não pertence apenas ao monumento estatal, mas que são também produzidas nas margens, nas imagens urbanas, nos corpos e nas linguagens que reinventam a cidade”, conclui.










